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1 de dezembro de 2011

Entrevista com Mahmud Asrar, desenhista da Supergirl

Mahmud Asrar é ilustrador da Supergirl para a DC Comics, onde imprime um estilo único todo feito em Copics. Nessa entrevista exclusiva para nós, ele conta um pouco mais sobre seu trabalho. Veja abaixo:

1 – Olá Mahmud, como vai? Conte-nos um pouco sobre você. Quem é Mahmud Asrar?
Mahmud Asrar
– Vou muito bem, obrigado! Sou um artista metade Austríaco, metade Pakistanês, que vive na Turquia. Sou ilustrador profissional de quadrinhos e no momento desenho a Supergirl para a DC Comics. Desde pequeno eu sempre quis desenhar quadrinhos e comecei a criar fanzines junto com alguns amigos. Com o tempo, comecei a receber algum dinheiro com isso e acabei trabalhando com quase todas as grandes empresas de quadrinhos. Alguns dos meus trabalhos mais importantes são Dynamo 5 com Jay Faerber pela Image Comics, vários trabalhos para a Marvel como Shadowland: Power Man, e Starwars Jedi – The Dark Side para a Dark Horse Comics, entre outros.

2 – Como é seu estúdio?
MA
– Meu estúdio é um cômodo em minha casa. Geralmente ele é bem arrumado. Não sou desses artistas desorganizados. Gosto de encontrar minhas canetas onde as coloquei. No momento ele está um pouco bagunçado, pois estamos nos mudando. Lá tenho minha mesa, o computador, mesa de luz, scanner, impressora, livros de referência, materiais artísticos, artes enquadradas e, é claro, alguns brinquedos e action figures. Enfim, tudo o que eu preciso para o meu trabalho está dentro desse cômodo. Também tenho uma TV para deixar um som de fundo quando não estou ouvindo música.

O estúdio de Mahmud na Turquia, onde vive. Olha lá as Copics sobre a mesa. ;)

3 – Como é sua rotina?
MA
– Não tenho uma rotina muito definida, graças ao meu trabalho como freelance. Trabalho todos os dias e estou sempre bem ocupado, mas não tenho um horário preferido. Dependendo do dia, começo cedo ou então saio e só começo o trabalho no fim do dia. Não tem problema, desde que o job seja entregue no prazo. Quando estou trabalhando, no entanto, só paro quando a página está pronta (sem contar alguns intervalos, claro).

4 – Quando você decidiu que queria ser um ilustrador, e o que fez para isso acontecer?
MA
– Gosto de desenhar desde que segurei algo que pudesse riscar. As pessoas em minha volta sempre me encorajaram bastante. Nunca me disseram para fazer “algo sério” ao invés de desenhar e acho que fui muito sortudo nesse sentido. Na minha juventude, não sabia muito bem qual direção tomar, mas acabei decidindo por uma faculdade de artes. Estudei Artes Gráficas por dois anos e transferi para animação, pois achava que era mais próximo do que eu queria. Nesse ponto, já tinha certeza que queria ser um artista de quadrinhos. Não sei exatamente como aconteceu, mas me dediquei bastante e no momento certo tudo virou realidade.

5 – De onde vem sua inspiração?
MA
– De várias coisas. Me inspiro no trabalho de vários mestres e artistas contemporâneos do mercado de quadrinhos. Também aprecio muito a Arte em todas as suas formas: pintura, fotografia, filmes ou livros. E não me limito somente a isso. A inspiração pode vir de qualquer coisa da vida, que é a fonte de tudo aquilo que fazemos.

6 – Quais são seus artistas favoritos?
MA
– É difícil falar todos, mas alguns dos que mais me inspiram são: John Byrne, John Buscema, Adam Hughes, Stuart Immonen, Bill Sienkiewicz, Olivier Coipel, Art Adams, Chris Sprouse, Mike Mignola, Egon Schiele e Alphonse Mucha.


É possível perceber a inspiração de Adam Hughes no trabalho de Mahmud pelas imagens acima. Principalmente no que se refere ao uso conjunto dos Warm Grays e Cool Grays.

7 – Como você decidiu trabalhar somente com Copics? Quais são as vantagens e desvantagens em relação a um ambiente 100% digital?
MA
– Eu usei marcadores no meu trabalho durante anos. Alguns anos atrás fui apresentado às Copics por alguns dos meus artistas favoritos. A vibração e qualidade das cores pareciam realmente boas. Então pensei em testá-las em uns sketch cards que estava fazendo na época. Gostei muito do resultado e comecei a usá-las consideravelmente. Tentei outras marcas durante esse tempo mas sinceramente não obtive o mesmo resultado. Essa foi a primeira vez que as usei profissionalmente e depois passei a usá-las no meu trabalho pessoal e nas commisions. Especialmente o Warm Gray e o Cool Gray, que se complementam muito bem. De vez em quando faço algumas peças coloridas, sendo que algumas estão entre as minhas favoritas até o momento.

Acostumei a trabalhar com quadrinhos da maneira tradicional ao longo da minha carreira, mas me pediram para usar o meu estilo de marcador na Supergirl, então este é o maior projeto que eu já trabalhei com marcadores. As capas e as páginas internas são totalmente feitas com Copics agora. Honestamente, eu não poderia estar mais feliz. Tenho muito controle sobre o meu trabalho e agora o produto final é mais parecido com o que eu pretendo que ele seja.

“A mídia tradicional sai mais natural para mim. O aspecto físico e a probabilidade de erros deixam as coisas muito mais concretas e reais. Eu sinto que trabalhar no papel me encoraja a ser um artista melhor.”

Desenho ou pintura digital têm suas vantagens, com certeza. Eu tenho testado um pouco, mas não me sinto muito confortável. Uso o digital para meus esboços ou layout, e é muito útil para o meu processo nesse sentido. A mídia tradicional sai mais natural para mim. O aspecto físico e a probabilidade de erros deixam as coisas muito mais concretas e reais. Eu sinto que trabalhar no papel me encoraja a ser um artista melhor.

8 – Qual foi seu projeto mais desafiador?
MA
– Cada projeto tem seu próprios desafios. Recentemente, Star Wars Jedi – The Dark Side foi de longe o projeto mais difícil que eu já trabalhei. Apesar de Star Wars ser algo que eu amo, o fato de ser tão familiar, no entanto, trouxe junto um território desconhecido. Eu tive que criar ou projetar algo em quase todas as páginas que tinham que ser novos, mas também pertencente ao mundo de Star Wars. Então foi muito difícil.

Dito isso, trabalhar com as Copics em Supergirl foi um desafio diferente. Mais em relação à técnica e ao lado artístico, pois me provoca a resolver os problemas de maneiras diferentes. O que deixa tudo muito mais divertido!

“Um ilustrador ou artista de quadrinhos precisa saber como desenhar qualquer coisa. Então, desenhar a partir daquilo que você vive é tão importante quanto a partir das coisas que você imagina.”

9 – Qual conselho você daria aos jovens que querem seguir os seus passos?
MA
– Há muito pra dizer, mas tenho certeza de que o que mais vai ajudar é: trabalhe duro, desenhe o tempo todo e seja perseverante. Esse tipo de trabalho não é algo que você deve fazer por dinheiro ou fama, mas sim porque você ama fazê-lo. Por isso, requer muito sacrifício e dedicação. Um ilustrador ou artista de quadrinhos precisa saber como desenhar qualquer coisa. Então, desenhar a partir daquilo que você vive é tão importante quanto a partir das coisas que você imagina. Aprenda com os mestres, mas não os copie. Também vale a pena ser mente aberta. Não fique preso em fazer a mesma coisa várias vezes. Experimente diferentes meios, métodos e assuntos.

10 – Quais são seus planos para o futuro? Que tipo de coisas você tem interesse em fazer?
MA
– Atualmente, estou preso na Supergirl e estou dedicado a isso no longo prazo. No entanto, estou muito plantando sementes para um projeto próprio. Ainda é muito cedo para falar sobre isso pois não há muita coisa acontecendo ainda.

Gostou? Comente, compartilhe! ;)

Veja mais sobre Mahmud Asrar em:
http://mahmudasrar.com/
http://anjum.deviantart.com/
http://twitter.com/mahmudasrar


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